Machado de Assis

Considerado o maior autor de ficção na Literatura Brasileira, Machado de Assis é reconhecido pela genialidade com que tratou seus personagem e por ter superado uma vida de dificuldades

Foi no ano de 1839, no Morro do Livramento, subúrbio do Rio de Janeiro, que um operário mestiço, Francisco José de Assis e uma dona de casa portuguesa, Maria Leopoldina Machado de Assis, tiveram o pequeno Joaquim Maria Machado de Assis.

Aos seis anos, perdeu sua única irmã, aos dez, faleceu sua mãe. Seu pai casou-se novamente mas morreu pouco tempo depois. Joaquim acabou sendo criado pela madrasta e passou a vender doces na rua para ajudar no sustento de casa.

Já na adolescência, foi vítima de preconceito por ser mulato, gago, pobre e epilético. Bisneto de escravos, nascido em família humilde, Machado de Assis deu seus primeiro no mundo das palavras e letras quando aprendeu a ler com a sua madrasta, apesar de realizar alguns curso regulares, sempre foi autodidata, sendo que nunca frequentou universidade.

Imagem: Reprodução

Mas nenhuma dessas adversidades impediram que o jovem Joaquim se interessasse pela vida intelectual. Ele passou a ler muitos livros de autores nacionais e estrangeiros. De tanto ler e escrever acabou tendo seu primeiro poema publicado no jornal com apenas dezesseis anos.

Logo depois, passou a ser membro da vista revista Marmota Fluminense, ganhando dois importantes protetores da comunidade intelectual da época: Paulo Brito e Manuel Antônio.

Os primeiros passos de Machado de Assis Jornalista, Cronista e Poeta:

1859: Revisor do Correio Mercantil
1860: Redator do ‘Diário do Rio de Janeiro’, crítico teatral da revista ‘O Espelho’
1862: Ganha o cargo de censor teatral
1864: Publica “Crisálidas”: seu primeiro livro de poesias
1867: Diretor de publicação do Diário Oficial

Aos 29 anos, Machado se casou com Carolina de Novais, em 12 de novembro de 1869. Após seu casamento , ele começou a publicar seus primeiros romances, incluindo Helena e Contos Fluminenses (Histórias Fluminense – “Fluminense” é o termo para pessoas do estado do Rio de Janeiro).

Romantismo e Realismo

Seu estilo de escrita na década de 1870 foi marcado por tons românticos, e seus primeiros trabalhos não ficaram necessariamente conhecidos ou se mostraram notórios pela qualidade que tinha, pois depois se tornaram em obras tão poderosas e famosas.

No entanto, com a publicação de um de seus livros mais famosos, Memórias Póstumas de Brás Cubas, em 1881, seu estilo mudou muito. Escrevendo em um estilo realista, os livros de Machado de Assis empregavam cada vez mais humor que atenuava um pessimismo crescente para com os seres humanos.

Seus trabalhos mais famosos vieram dessa fase de sua escrita, incluindo: Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro.

Assim como os grandes escritores da época, Machado não escapou de viver paralelamente uma carreira burocrática em cargos públicos a estabilidade financeira dava a Machado mais tempo para se dedicar ao que mais gostava: escrever.

A segunda fase da obra de Machado de Assis é marcada pela análise psicológica. Pouca coisa acontece enquanto o autor penetra a consciência de seus personagens, é quando o autor atinge a maturidade artística, indo do Romantismo para o Realismo.

A obra de Machado foi bem recebida e, em 1868, ele foi elogiado como Cavaleiro da Ordem da Rosa (a reconhecimento formal de realização pela ordem imperial).

Bem conectado nos círculos literários da época, Machado era respeitado e admirado por seus companheiros e amigos.

Ele escreveu poesia, peças de teatro, ensaios, contos e romances. Entre esses últimos, vale a pena destacar a publicação em 1881 de As Memórias Póstumas de Brás Cubas, considerada por muitos sua obra-prima.

A Academia Brasileira de Letras

Muito querido entre os escritores, foi eleito presidente da Academia Brasileira de Letras, em 28 de janeiro de 1897, sendo fundador da 23ª cadeira. Cargo que ocupou até sua morte no Rio de Janeiro em 29 de setembro de 1908, quatro anos depois da morte se sua esposa Carolina de Novaes.

Machado de Assis escolheu o amigo José de Alencar para ser seu patrono, por sua importância, a Academia Brasileira de Letras passou a ser chamada de Casa de Machado de Assis.

As obras Machadianas

Suas obras são divididas em duas fases: a primeira é a romântica, onde os temas principais são o amor e os relacionamentos. A segunda fase é a realista, na qual o autor começa a explorar, por meio de seus personagens, a análise do ser humano – suas vontades, necessidades, defeitos, qualidades, pensamentos, caráter, moral-.

Romances

Ressurreição – 1872
A mão e a luva – 1874
Helena – 1876
Iaiá Garcia – 1878
Memórias Póstumas de Brás Cubas – 1881
Quincas Borba – 1891
Dom Casmurro – 1899
Esaú e Jacó – 1904
Memorial de Aires – 1908

Poesia

Crisálidas
Falenas
Americanas
Ocidentais
Poesias completas

Contos

A Carteira
Miss Dollar
O Alienista
Noite de Almirante
O Homem Célebre
Conto da Escola
Uns Braços
A Cartomante
O Enfermeiro
Trio em Lá Menor
Missa do Galo

Teatro

Hoje avental, amanhã luva – 1860
Desencantos – 1861
O caminho da porta, 1863
Quase ministro – 1864
Os deuses de casaca – 1866
Tu, só tu, puro amor – 1880
Lição de botânica – 1906

Referências

Machado de Assis, um gênio brasileiro – Daniel Piza

Lendo Machado por sua vida e identidade – André Luis Mitidieri

Luana Bernardes
Prof. Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

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01.[ENEM]:

Joaquim Maria Machado de Assis, cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839. Filho de um operário mestiço de negro e português, Francisco José de Assis, e de D. Maria Leopoldina Machado de Assis, aquele que viria a tornar-se o maior escritor do país e um mestre da língua, perde a mãe muito cedo e é criado pela madrasta, Maria Inês, também mulata, que se dedica ao menino e o matricula na escola pública, única que frequentou o autodidata Machado de Assis.

(Disponível em: http://www.passeiweb.com. Acesso em: 1 maio 2009).

Considerando os seus conhecimentos sobre os gêneros textuais, o texto citado constitui-se de

a) fatos ficcionais, relacionados a outros de caráter realista, relativos à vida de um renomado escritor.

b) representações generalizadas acerca da vida de membros da sociedade por seus trabalhos e vida cotidiana.

c) explicações da vida de um renomado escritor, com estrutura argumentativa, destacando como tema seus principais feitos.

d) questões controversas e fatos diversos da vida de personalidade histórica, ressaltando sua intimidade familiar em detrimento de seus feitos públicos.

e) apresentação da vida de uma personalidade, organizada sobretudo pela ordem tipológica da narração, com um estilo marcado por linguagem objetiva.

 

02.[FUVEST]:

“Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: a diferença radical entre este livro e o Pentateuco.”

(Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas).

No fragmento, o autor afirma que:

a) vai começar suas memórias pela narração de seu nascimento.

b) vai adotar uma sequência narrativa invulgar.

c) que o levaram a escrever suas memórias foram duas considerações sobre a vida e a morte.

d) vai começar suas memórias pela narração de sua morte.

e) vai adotar a mesma sequência narrativa utilizada por Moisés.

01.[ENEM]:

Resposta: E

O texto que serviu de base à questão é uma biografia, cujas informações estão encadeadas de maneira cronológica. A linguagem é sobretudo objetiva, com a intenção de enfatizar o assunto, ou seja, as informações sobre a vida de Machado de Assis.

 

02.[FUVEST]:

Resposta: D

O narrador começa sua narrativa a partir de sua morte e, por esse motivo, autointitula-se um defunto-autor, ou seja, um morto que resolveu escrever suas memórias.

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