Literatura de Cordel

A literatura de cordel foi marcada por produções de baixo custo, feitas basicamente pelas mãos dos autores, e declamadas em praças com auxílio de violas.

Conhecida como literatura de cordel, a modalidade impressa de poesia antigamente era muito mal vista, sendo, atualmente, entretanto, bem aceita na literatura. Existe, inclusive, uma Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Os textos da literatura de cordel são publicados em livretos que são, normalmente, fabricados praticamente inteiros pelo próprio autor, de forma manual. Geralmente com 8 páginas, cada uma medindo 11 x 16 cm, os livretos são comercializados pelos próprios autores, ainda que haja algumas obras publicadas.

O termo “cordel” é uma herança de Portugal, inserida no Brasil pelos portugueses ao final do século XVIII, tendo surgido na Europa no século XII e se tornando popular com o Renascimento. Os artistas, normalmente, vendiam suas obras em feiras da cidade, tendo a sua popularidade, entretanto, diminuída, com a invenção e popularização do rádio e da televisão.

Características da literatura de cordel

literatura de cordel
Imagem: Reprodução

A literatura de cordel apresenta, em sua maioria, uma linguagem bastante despreocupada e regionalizada, sendo aplicada informalmente para a composição dos textos. Com influência portuguesa, os autores das poesias que compõem a literatura de cordel se denominavam trovadores, declamando suas poesias normalmente acompanhados por uma viola que eles mesmos tocam.

Não foi apenas a literatura brasileira que foi marcada pela literatura de cordel. Os artistas franceses, espanhóis e portugueses também tiveram acesso e foram influenciados por estes artistas através dos trovadores. O estilo de literatura também é marcado pelas apresentações dos escritores para o povo, normalmente abrangendo temáticas relacionadas ao amor, aos acontecimentos regionais, bem como da cultura popular. Ainda nos dias de hoje, é possível presenciar competições entre dois trovadores com suas violas, sendo muito praticada em todos os países mencionados, mas principalmente em Portugal.

Literatura de Cordel no Brasil

Ainda que no Brasil predomine a produção poética na literatura de cordel, em outras localidades é possível notar uma presença bastante intensa da prosa em redondilha maior, ou seja, com versos de sete sílabas poéticas. Normalmente são compostos de estrofes de seis versos, denominada sextilha, e o esquema de rimas mais comumente usada pelos artistas da literatura de cordel é ABCBDB.

Uma das características mais marcantes dessa forma de literatura, é a manifestação da opinião do autor em torno de assuntos relacionados à sua realidade, não sendo impessoais nem imparciais, usando, normalmente, de técnicas de persuasão e convencimento para que o leitor (ou aquele que o estiver ouvindo) ser convencido por seus ideais e ideias.

Os autores fazem uso, ainda, de temas muito variados, desde aventuras e narrativcas tradicionais, até humor, ficção, bem como os folhetos de caráter jornalístico, que apresentam um determinado fato, podendo ser usadas técnicas para deixá-lo mais divertido. Normalmente escritas de maneira jocosa, as obras de literatura de cordel são sempre marcadas pelo uso intenso de recursos textuais, como o exagero, lendas e mitos, bem como uso de ironia e de sarcasmo para marcar a literatura com críticas sociais e políticas.

Referências

Cordéis que educam e transformam – Costa Senna

Por Natália Petrin
Teste seu conhecimento

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O cordelista por ele mesmo

Aos doze anos eu era
forte, esperto e nutrido.
Vinha do Sítio de Piroca
muito alegre e divertido
vender cestos e balaios
que eu mesmo havia tecido.

Passava o dia na feira
e à tarde regressava
levando umas panelas
que minha mãe comprava
e bebendo água salgada
nas cacimbas onde passava.

BORGES, J. F. Dicionário dos sonhos e outras histórias de cordel. Porto Alegre: LP&M, 2003 (fragmento).

Literatura de cordel é uma criação popular em verso, cuja linguagem privilegia, tematicamente, histórias de cunho regional, lendas, fatos ocorridos para firmar certas crenças e ações destacadas nas sociedades locais. A respeito do uso das formas variantes da linguagem no Brasil, o verso do fragmento que permite reconhecer uma região brasileira é

a) “muito alegre e divertido”.

b) “Passava o dia na feira”.

c) “levando umas panelas”.

d) “que minha mãe comprava”

e) “nas cacimbas onde passava”.

A literatura de cordel é ainda considerada, por muitos, uma literatura menor. A alma do homem não é mensurável e — desde que o cordel possa exprimir a história, a ideologia e os sentimentos de qualquer homem — vai ser sempre o gênero literário preferido de quem procura apreender o espírito nordestino. Os costumes, a língua, os sonhos, os medos e as alegrias do povo estão no cordel. Na nossa época, apesar dos jornais e da TV — que poderiam ter feito diminuir o interesse neste tipo de literatura — e da falta de apoio econõmico, o cordel continua vivo no interior e em cenáculos acadêmicos.

A literatura de cordel, as xilogravuras e o repente não foram apenas um divertimento do povo. Cordéis e cantorias foram o professor que ensinava as primeiras letras e o médico que falava para inculcar comportamentos sanitários. O cordel e o repente fazem, muitas vezes, de um candidato o ganhador da banca de deputado. E assim, lendo e ouvindo, foi-se formando a memória coletiva desse povo alegre e trabalhador, que embora calmo, enfrenta o mar e o sertão com a mesma valentia.

BRICKMANN, L. B. E de repente foi o cordel. Disponível em: http://pt.scribd.com. Acesso em: 29 fev. 2012 (fragmento).

O gênero textual cordel, também conhecido como folheto, tem origem em relatos orais e constitui uma forma literária popular no Brasil. A leitura do texto sobre a literatura de cordel permite

 

a) descrever esse gênero textual exclusivamente como instrumento político.

b) valorizar o povo nordestino, que tem no cordel sua única forma de expressão.

c) ressaltar sua importância e preservar a memória cultural de nosso povo.

d) avaliar o baixo custo econômico dos folhetos expostos em barbantes.

e) informar aos leitores o baixo valor literário desse tipo de produção

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