Haikai

Um haikai (haiku ou haicai), é um poema de origem japonesa breve e objetivo que possui seu próprio estilo métrico.

O haikai (kaiku ou haicai), é uma forma de poema conciso e objetivo composto de 17 sílabas distribuídas em três versos o primeiro composto de cinco sílabas, o segundo de sete e o terceiro de cinco.

No século XVIII, foi imortalizado pelo poeta japonês MatsuoBashô.

haikai exemplo
Imagem: Reprodução

Um haicai não possui título, nem seus versos possuem rima sendo portanto sua forma bastante simples.

Entretanto, essa simplicidade, característica marcante da poesia, da arte e da vida japonesa de uma forma geral, não significa pobreza.

Mas sim é sinônimo de serenidade e tranqüilidade.

O haikai no Brasil

A produção de haikai em português é bastante vasta.

No sul do Brasil, por causa do maior número de imigrantes e consequentemente maior contato com essa forma poética, a popularidade do haikai enquanto atividade artística ligada à cultura japonesa é ainda maior.

Entre os haicaístas brasileiros mais famosos, podemos citar Afrânio Peixoto, Guilherme de Almeida, Haroldo de Campos, Millôr Fernandes e Paulo Leminski, entre outros.

A entrada do haikai no Brasil teve outros dois principais momentos além da contribuição da imigração japonesa: A contribuição do Afrânio Peixoto e a contribuição de Guilherme de Almeida.

Os pioneiros do haikai no Brasil

O poeta Afrânio Peixoto tornou o haikai conhecido pelos leitores de seu livro “Trovas Populares Brasileiras”, publicado em 1919.

Neste livro estão publicadas uma coleção de 1000 trovas brasileiras e alguns haikais.

Mais adiante, em 1931, Peixoto volta a publicar haikais em seu livro “Missangas”.

Esse livro contém um ensaio sobre haikai, “O Haikai Japonês ou Epígrama Lírico”, seguido por 52 haikais, quase todos tendo a métrica rígida de 5-7-5 sílabas e um título em letras capitais.

Entre os haikais publicados por Peixoto encontramos este:

SÓ OS OUSADOS SÃO FELIZES
Sem pedir, o vento
Derruba as flores do chão…
Eu nunca ousei.

Guilherme de Almeida foi um advogado, jornalista, crítico de cinema, poeta, ensaísta e tradutor. Foi também primeiro Modernista a entrar para a Academia Brasileira de Letras.

Entre os anos de 1937 e 1947, o haiku ganhou significativa repercussão quando Almeida publicou “Os Meus Haicais”, no jornal “O Estado de São Paulo”, e seu livro “Poesia Vária”.

O próprio Guilherme de Almeida definiu o haikai como:

“A poesia reduzida à expressão mais simples. Um mero enunciado: lógico, mas inexplicado. Apenas uma pura emoção colhida ao voo furtivo das estações que passam, como se colhe uma flor na primavera, uma folha morta no outono, um floco de neve no inverno… Emoção concentrada numa síntese fina…”.

Assim como Peixoto, Almeida também dá título aos seus haikais em letras capitais:

CARIDADE
Desfolha-se a rosa
parece até que floresce
o chão cor-de-rosa

Logo depois que Guilherme de Almeida publicou sua coleção no Estado de São Paulo, diversos outros livros de haikais surgiram no Brasil.

Referências

História do haicai brasileiro –  Rosa Clement

Haikais de Bashô: O oriente traduzido no ocidente – Tatiane de Aguiar Sousa

Luana Bernardes
Prof. Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Teste seu conhecimento

01. [UERJ]: 

SOBRE  A ORIGEM DA POESIA

A origem da poesia se confunde com a origem da própria linguagem.

Talvez fizesse mais sentido perguntar quando a linguagem verbal deixou de ser poesia. Ou: qual a origem do discurso não poético, já que, restituindo laços mais íntimos entre os signos e as coisas por eles designadas, a poesia aponta para um uso muito primário da linguagem, que parece anterior ao perfil de sua ocorrência nas conversas, nos jornais, nas aulas, conferências, discussões, discursos, ensaios  ou telefonemas […]

No seu estado de língua, no dicionário, as palavras intermedeiam nossa relação com as coisas, impedindo nosso contato direto  com elas. A linguagem poética inverte essa relação, pois, vindo a se tornar, ela em si, coisa, oferece uma via de acesso sensível mais direto entre nós e o mundo […]

Já perdemos a inocência de uma linguagem plena assim. As palavras se desapegaram das coisas, assim como os olhos se desapegaram dos ouvidos, ou como a criação se desapegou da vida. Mas temos esses pequenos oásis – os poemas – contaminando o deserto de referencialidade.

ARNALDO ANTUNES

No último parágrafo, o autor se refere à plenitude da linguagem poética, fazendo, em seguida, uma descrição que corresponde à linguagem não poética, ou seja, à linguagem referencial.

Pela  descrição apresentada, a linguagem referencial teria, em sua origem, o seguinte traço fundamental:

a) O desgaste da intuição

b) A dissolução da memória

c) A fragmentação da experiência

d) O enfraquecimento da percepção

 

02. [ENEM]:

Leia estes poemas:

Texto 1

AUTO-RETRATO

Provinciano que nunca soube
Escolher bem uma gravata;
Pernambucano a quem repugna
A faca do pernambucano;
Poeta ruim que na arte da prosa
Envelheceu na infância da arte,

E até mesmo escrevendo crônicas
Ficou cronista de província;
Arquiteto falhado, músico
Falhado (engoliu um dia
Um piano, mas o teclado

Ficou de fora); sem família,
Religião ou filosofia;
Mal tendo a inquietação de espírito
Que vem do sobrenatural,
E em matéria de profissão
Um tísico profissional.

(Manuel Bandeira. “Poesia completa e prosa”. Rio de Janeiro: Aguilar, 1983. p. 395.)

Texto 2

POEMA DE SETE FACES

Quando eu nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos. (….)

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo
mais vasto é o meu coração.

(Carlos Drummond de Andrade. “Obra completa”. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964. p. 53.)

Esses poemas têm em comum o fato de

a) descreverem aspectos físicos dos próprios autores.

b) refletirem um sentimento pessimista.

c) terem a doença como tema.

d) narrarem a vida dos autores desde o nascimento.

e) defenderem crenças religiosas.

01. [UERJ]

Resposta: C

A linguagem literária não apresenta um caráter utilitário ou prático, pois afasta-se da materialidade das coisas do cotidiano, portanto, a poesia não precisa ter, necessariamente, qualquer tipo de utilidade. Pode, inclusive, ser apenas uma manifestação de beleza conforme os filósofos gregos (entre eles Aristóteles), primeiros pensadores do gênero.

 

02. [ENEM]

Resposta: B

Tanto no poema de Drummond quanto no poema de Bandeira podemos perceber certo descontentamento e desencanto em relação ao mundo. Ambos têm como característica o pessimismo, o isolamento, o individualismo e a reflexão existencial, elementos evidenciados em seu conteúdo temático.

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