Mulheres na História do Brasil

As mulheres na história do Brasil tiveram uma contribuição fundamental para a construção do país, com nomes importantes do passado e do contemporâneo.

As mulheres na história do Brasil formam parcela significativa da construção histórica do país. Apesar de todo o machismo enraizado na sociedade de época, como também da atual, a mulher obtém um papel de destaque notório.

Ícones femininos da história brasileira marcaram o nome nas mais diferentes vertentes culturais. Além de serem personalidades brasileiras mundialmente conhecidas, estas mulheres são pessoas que fizeram história – seja por sua arte, suas ideias, suas invenções, inovações ou até mesmo pela bravura ou talento esportivo.

Alguns ícones femininos da história do Brasil têm uma relevância que merece ser destacada, sobretudo por seus feitos no passado ou por seu impacto no mundo atual.

Apesar de existirem outras tantas, separamos uma lista com 30 nomes femininos importantes na história do Brasil.

1. Paraguaçu: Índia Tupinambá (1495 – 1583)

mulheres na história do brasil
(Imagem: Reprodução)

A índia Paraguaçu pertencia à tribo dos Tupinambás, filha do cacique Taparica. A vida da índia mudou ao conhecer o português Caramuru e, posteriormente, se casado com o antigo navegador.

Paraguaçu ajudou a fundar Salvador, abriu igrejas e protegeu conventos da época, sendo um dos grandes ícones femininos da história do Brasil.

2. Ana Pimentel (??? – ???)

(Imagem: Reprodução)

Ana Pimenteu foi casada com o nobre português Martim Afonso de Sousa. Sua importância foi imensa na construção Brasil Colônia. Ana assumiu a administração da capitania de São Vicente, no dia 3 de março de 1534, sendo o primeiro registro de uma mulher comandando uma capitania.

3. Dandara dos Palmares (??? – 1694)

(Imagem: Reprodução)

Esposa de Zumbi, Dandara batalhou junto do marido pela libertação dos escravos durante o período colonial. Caracterizada pelos historiadores como uma mulher de iniciativa, não aceitava conversas com o governo e era ativa na elaboração de planos de resistência.

Era uma arquiteta importante de estratégias que visavam a linha defensiva do quilombo.

4. Princesa Isabel (1846 – 1921)

(Imagem: Reprodução)

Princesa Isabel do Brasil foi uma mulher aquém de seu tempo. Foi a partir de sua iniciativa que a abolição da escravatura se deu no Brasil, em um momento que seu pai D. Pedro II estava ausente, o que contradisse todos os demais parlamentares da época.

5. Nísia Floresta (1810 – 1885)

(Imagem: Reprodução)

A primeira mulher do país a publicar um livro, no ano de 1832. Intitulado por “Direito das Mulheres e Injustiças dos Homens”, Nísia foi fundamental como precursora da luta feminista no país. Publicou ainda 15 obras ao longo da sua vida.

6. Maria Quitéria (1792 – 1853)

maria quiteria
(Imagem: Reprodução)

A militar Maria Quitéria foi uma das mulheres na história do Brasil que marcou a independência do país. Perdendo a mãe muito cedo, Quitéria pediu ao pai autorização para lutar na guerra de independência.

Ao ter seu pedido negado, fugiu para se juntar às tropas. Tornou-se, assim, a primeira mulher no Brasil a integrar as forças regulares do país.

7. Anita Garibaldi (1821 – 1849)

anita garibaldi
(Imagem: Reprodução)

Líder militar, a história de Anita começa ao casar-se cedo, aos 14 anos, e, logo em seguida, abandonar o marido. Conheceu seu parceiro Giuseppe Garibaldi, com quem dividiu batalhas e lutas.

Sua participação ativa se dá em dois períodos da história: a Revolução Farroupilha e a Unificação da Itália.

8. Maria Tomásia Figueira Lima (1826 – 1902)

maria tomasia
(Imagem: Reprodução)

Maria Tomásia Figueira Lima era uma abolicionista vinda de família abonada. Nascida na cidade de Sobral, no Ceará, foi casada com o também abolicionista Francisco de Paula de Oliveira Lima.

Junto do marido, fundou, no ano de 1882, a Sociedade Abolicionista das Senhoras Libertadoras. O grupo tinha por objetivo acolher escravos refugiados e prestar-lhes auxílio.

9. Chiquinha Gonzaga (1847 – 1935)

chiquinha gonzaga
(Imagem: Reprodução)

Compositora, maestrina e pianista, Chiquinha Gonzaga é um nome importante para a história do Brasil. Sua luta pelos direitos autorais, sobretudo na ala feminina, marcou história no país.

Grande parte de seu feito está relacionado à resistência em utilizar pseudônimo masculino para publicar suas obras.

10. Pagu (1910 – 1962)

(Imagem: Reprodução)

Pagu, apelido dado à Patrícia Rehder Galvão, foi um dos expoentes nome do Modernismo do Brasil. Escritora voraz, ainda era aplicada no desenho técnico com dosagens modernistas.

Submeteu-se a um aborto quando ainda tinha 14 anos. Sua principal crítica à sociedade estava concentrada na razão do porquê as mulheres não poderiam decidir sobre quando ter filhos.

11. Leila Diniz (1945 – 1972)

(Imagem: Reprodução)

Leila Diniz foi uma atriz que se destacou, sobretudo, pela sua irreverência, força e rompimento de tabus à época. Durante o período da Ditadura Militar no Brasil, comumente criticava o governo em entrevistas. Inclusive, uma fala marcante para o Jornal O Pasquim ganhou destaque, sobretudo pela censura em seus comuns palavrões ditos durante a conversa.

Morreu em 1972 após queda do avião Japan Airlines, após voltar de Melbourne, na Austrália.

12. Tarsila do Amaral (1886 – 1973)

tarsila do amaral
(Imagem: Reprodução)

A pintora Tarsila do Amaral é uma figura bastante conhecida por sua obra O Abaporu, mas pouco explorada em sua importância no movimento modernista do Brasil.

Na década de 20, participa da Semana de Arte Moderna de 1922 sendo, ao lado de outros grandes nomes, um dos maiores destaques do evento.

13. Bertha Lutz (1894 – 1976)

bertha lutz
(Imagem: Reprodução)

Botânica, advogada e grande nome do movimento feminista no Brasil. Uma das personalidades brasileiras mais conhecidas no mundo.

Sua luta pode ser resumida, apesar de diversas conquistas, pela luta do voto feminino no Brasil. Em 1936, por exemplo, consegue ocupar uma cadeira como suplente na Câmara dos Deputados.

14. Cora Coralina (1889 – 1985)

(Imagem: Reprodução)

Apesar de ser uma das escritoras mais notórias da história do Brasil, Cora Coralina, pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, publicou seu primeiro livro aos 76 anos. Antes disso, passaria a vida criando seus quatro filhos.

Apesar de não retratar em sua obra as questões de gênero, especialistas consideram Cora um marco na luta feminista do Brasil no âmbito da literatura.

15. Zilda Arns (1934 – 2010)

(Imagem: Reprodução)

Médica pediatra e sanitarista, Zilda se destacou por sua iniciativa em projetos filantrópicos. Foi a responsável direta pela fundação da Pastoral da Criança. Acabou morrendo no Haiti, em 2010.

16. Irmã Dulce (1914 – 1992)

(Imagem: Reprodução)

Maria Rita de Sousa Brito Lopes, ou apenas Irmã Dulce, dedicou sua vida para ajudar as populações mais carentes. Desde muito cedo, já aos 13 anos, transformou a casa dos pais em um lar de assistência.

Seguiu realizando projetos filantrópicos, rendendo, inclusive, a indicação ao Nobel da Paz, no ano de 1988.

17. Enedina Alves Marques (1913 – 1981)

enedina alves marques
(Imagem: Reprodução)

A engenheira civil Enedina Alves Marques foi a primeira mulher negra a se formar em Engenharia Civil no Brasil. Ao terminar a graduação, ingressa no Departamento Estadual de Águas e Energia Elétrica do Paraná.

18. Maria Esther Bueno (1939 – 2018)

maria esther bueno
(Imagem: Reprodução)

A maior atleta do tênis brasileiro entre homens e mulheres, Maria Esther Bueno é detentora de 71 títulos no esporte. Além disso, alcançou o posto de n.º 1 nos anos de 1959, 1964 e 1966.

19. Fernanda Montenegro (1929 – atual)

(Imagem: Reprodução)

Talvez a maior atriz brasileira da história, Fernanda Montenegro tem uma voz ativa na defesa das minorias e na importância da mulher no cinema. Seu grande destaque é por ser a única atriz/ator brasileiro a estar entre os indicados a Melhor Atriz/Ator pelo Oscar, após atuar no filme Central do Brasil (1998).

20. Maria da Penha (1945 – atual)

Maria da Penha (dir.) (Imagem: Reprodução)

Ícone na luta dos direitos das mulheres, Maria da Penha já foi vítima de agressão doméstica. Batizou a lei que condenaria a agressão doméstica, o que trouxe maior visibilidade a esse tipo de violência e até encorajou mulheres a denunciarem seus parceiros.

21. Marta Vieira (1986 – atual)

(Imagem: Reprodução)

Jogadora de futebol e expoente em um esporte praticado majoritariamente por homens, Marta se destaca por ser a única profissional do futebol (de ambos os gêneros) a conquistar por seis vezes o título de melhor jogadora de futebol do planeta.

22. Elza Soares (1937 – atual)

(Imagem: Reprodução)

Cantora e ícone no Brasil, Elza teve uma vida abalada em vários momentos. Desde a morte prematura da mãe, a morte do marido Garrincha e de três filhos. Apesar de tudo, Elza Soares sempre ressaltou o amor à vida e a superação de uma mulher forte.

23. Taís Araújo (1978 – atual)

(Imagem: Reprodução)

Atriz, Taís Araújo virou uma voz ativa na defesa dos direitos da mulher negra. Após sofrer racismo na internet em 2015, Taís não se intimidou. “Não vou me intimidar, tampouco baixar a cabeça”, disse a atriz.

A reação de Taís inspirou a criação da hashtag #SomosTodosTaís no twitter, movimentando e conscientizando sobre o racismo sofrido pela mulher negra.

24. Dilma Rousseff (1947 – atual)

(Imagem: Reprodução)

Dilma Rousseff foi a primeira mulher eleita democraticamente como presidente do Brasil. Ainda foi reeleita para o cargo, no ano de 2014, porém sofreria um processo de impeachment dois anos depois.

25. Eliane Brum (1966 – atual)

eliane brum
(Imagem: Reprodução)

Uma das figuras do jornalismo brasileiro atual mais respeitada no mundo inteiro. Eliane Brum é escritora, jornalista e documentarista, fundamental na luta pelos direitos das mulheres e a presença da mulher como voz ativa no jornalismo atual.

26. Lívia Zaruty

O canal de Livia Zaruty busca discutir e debater questões referente às questões raciais. As desigualdades expostas no Brasil e todos os problemas que estes acarretam.

27. JoutJout

Julia Tolezano, conhecida por Jout Jout, é uma escritora e jornalista brasileira. Ganhou notório destaque no YouTube com um canal onde aborda inúmeras questões referentes à mulher, ao feminismo, autoestima e muitos outros assuntos que introduzem jovens a temas pertinentes.

28. Nátaly Neri

O canal de Nátaly Neri fala sobre moda e consumo sustentável. Entretanto, apesar do assunto em foco, Nátaly utiliza o canal para dar dicas de empreendedorismo para a mulher, incentivando a autonomia feminina.

29. Alexandra Gurgel

O canal Alexandrismos foi criado pela jornalista Alexandra Gurgel, e aborda, em suma, questões referente à vida de Alexandra. Questões que abrangem autoestima, saúde mental, relacionamento e amor próprio, de modo a servir de auxílio para quem é atingida pelos mesmos conflitos.

30. Louie Ponto

Louie aborda em seu canal questões referentes a gênero e sexualidade. De forma bastante didática, ela procura introduzir o assunto que é tão debatido constantemente: homofobia.

Apesar de haver muitos outros ícones femininos da história do Brasil, esse apanhado reflete um modelo geral sobre a presença e a importância da mulher nas diversas áreas de desenvolvimento social do país.

Referências

AZEVEDO, Gislane e SERIACOPI, Reinaldo. História Volume Único. Editora Ática, São Paulo-SP, 1ª edição. 2007, 592 p.

Mateus Bunde
Por Mateus Bunde

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Especialista em Linguagens pelo Instituto Federal Sul-Rio-Grandense (IFSul) e Mestrando em Comunicação pela Universidade do Porto, de Portugal (UP/PT).

Exercícios resolvidos

1. [ENEM]

Maria da Penha

Você não vai ter sossego na vida, seu moço
Se me der um tapa

Da dona “Maria da Penha”
Você não escapa
O bicho pegou, não tem mais a banca
De dar cesta básica, amor
Vacilou, tá na tranca
Respeito, afinal, é bom e eu gosto

[…]

Não vem que eu não sou
Mulher de ficar escutando esculacho
Aqui o buraco é mais embaixo
A nossa paixão já foi tarde

[…]

Se quer um conselho, não venha
Com essa arrogância ferrenha
Vai dar com a cara
Bem na mão da “Maria da Penha”

ALCIONE. De tudo o que eu gosto. Rio de Janeiro: Indie; Warner, 2007.

A letra da canção faz referência a uma iniciativa destinada a combater um tipo de desrespeito e exclusão social associado, principalmente, à(s)

a) mudanças decorrentes da entrada da mulher no mercado de trabalho.

b) formas de ameaça doméstica que se restringem à violência física.

c) relações de gênero socialmente construídas ao longo da história.

d) violência doméstica contra a mulher relacionada à pobreza.

e) ingestão excessiva de álcool pelos homens.

Resposta: C

A violência contra a mulher não está relacionada às questões de classe, economia ou profissional, mas sim nas relações de gênero construídas na sociedade durante o passar dos anos.

2. [ENEM]

Na imagem, da década de 1930, há uma crítica à conquista de um direito pelas mulheres, relacionado com a:

a) redivisão do trabalho doméstico

b) liberdade de orientação sexual

c) garantia da equiparação salarial

d) aprovação do direito ao divórcio

e) obtenção da participação eleitoral

Resposta: E

A imagem reflete às pressões no período da Era Vargas de mulheres que exigiam o voto feminino nas eleições.

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