Independência do Kosovo

A independência da província do Kosovo veio somente em 2008. Porém, tanto a Sérvia como a Rússia ainda não a reconhecem, o que ainda gera agitação política e social na região.

A história da independência do Kosovo é cheia de impasses. Ao longo de décadas, o estado-nação fez parte da antiga Iugoslávia e da República da Sérvia.

Em 17 de Fevereiro de 2008, o Kosovo declarou a independência unilateral em relação à Sérvia o que provocou diferentes reações à escala internacional.

O Kosovo foi reconhecido por noventa países, vinte e dois dos quais são Estados-membros da União Europeia. Conforme a Constituição aprovada a 9 de Abril de 2008 o Kosovo foi declarado “Estado soberano e independente”.

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Imagem: Reprodução

A economia do Kosovo ainda é bastante fraca sendo o euro sua moeda oficial. A população é de cerca de 2 milhões de habitantes tendo a religião muçulmana como predominante. 92% de sua população é de etnia albanesa.

Porém, ainda existe tensão étnica e a Sérvia recusa-se a reconhecer o novo Estado.

A Guerra do Kosovo e a derrubada de Milosevic

Até 2008 o Kosovo era uma província da Sérvia, república onde predomina a religião cristã ortodoxa. A grande maioria de seus habitantes, chamados kosovares, é de origem albanesa e professa a religião muçulmana. Em 1997, surgiu o Exército de Libertação do Kosovo (ELK), que deu início a uma rebelião armada pela independência da província.

Para reprimir a revolta separatista, o governo da Iugoslávia chefiado por Slobodan Milosevic, partiu para a repressão indiscriminada contra a população kosovar, promovendo uma “limpeza étnica”, isto é, a eliminação ou a expulsão de milhares de kosovares da região.

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Configurada a ameaça de genocídio, em março de 1999, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), liderada pelos EUA, decidiu bombardear a Iugoslávia para forçar o país a abandonar as ações militares em Kosovo. Os bombardeios que duraram 78 dias, atingiram indistintamente alvos civis e militares das principais cidades sérvias, destruindo edifícios, pontes e veículos.

Em junho de 1999, Milosevic cedeu à pressão internacional e aceitou a entrada de uma força militar da Otan na província de Kosovo. Esta, no entanto, continuava a fazer parte da Sérvia.

Em outubro de 2000, finalmente, não só os kosovares mas também a população iugoslava saíram às ruas em gigantes manifestações de protesto contra o governo, depois da realização de eleições que deram vitória a oposição.

Imagem: Reprodução

Sem ter como reagir, Slobodan Milosevic renunciou à Presidência da República, cargo que passou a ser exercido por Vajislav Kostunica, da oposição democrática.

Em abril de 2001, Milosevic foi preso pela polícia sérvia por corrupção e abuso de poder e, sob pressão de países de todo o mundo, entregue ao Tribunal Internacional de Haia (o tribunal da ONU para julgar crimes de guerra). O Tribunal ficou encarregado de julgar Milosevic pelo genocídio cometido durante as guerras nos Bálcãs.

O julgamento de Milosevic terminou, no entanto, sem qualquer veredito, já que ele acabou morrendo durante o seu decorrer, depois de quase cinco anos encarcerado na Prisão de Criminosos de Guerra, em Haia.

Independência do Kosovo e sua repercussão

Muitos anos depois, no dia 17 de fevereiro de 2008 foi aprovada (por 109 votos a zero) a declaração de independência do Kosovo.

Porém, representantes políticos da Sérvia alegam que o país nunca reconhecerá a independência de Kosovo. A Rússia, aliada histórica da Sérvia, também é contrária ao processo de independência kosovar. Esse fato tem gerarado consequências negativas no âmbito político, social e econômico entre os países vizinhos, fortalecendo as= rivalidades étnicas na região.

Referências

História – Divalte Garcia Figueira

Aspectos geopolíticos da crise no Kosovo – Slavi Dimitrov, Tatyana Dimitrova

Kosovo: o legado da História – Pedro Aires Oliveira

Kosovo: província ou país? – Arthur H. V. Nogueira

Luana Bernardes
Prof. Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

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01. [UNESP]: A divisão territorial da ex-Iugoslávia originou seis novos países. Assinale a alternativa que contém o nome desses países.

a) República Tcheca, Eslovênia, Macedônia, Croácia, Sérvia, Montenegro.

b) Albânia, Macedônia, Bósnia, Croácia, Sérvia, Montenegro.

c) Romênia, Croácia, Eslovênia, Bósnia, Sérvia, Montenegro.

d) Bósnia, Macedônia, Croácia, Eslovênia, Sérvia, Montenegro.

e) Bulgária, Bósnia, Eslovênia, Macedônia, Sérvia, Montenegro.

02. [UFV]: A prisão do ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, em junho de 2001, foi mais um capítulo dos intensos conflitos separatistas e étnicos que eclodiram na Europa durante a década de 90 do século XX, dentre os quais, podemos citar a Guerra da Bósnia. Um dos elementos que contribuíram para a emergência desses conflitos foi:

a) a intensificação do processo de repressão aos cultos religiosos por parte do governo central de Moscou.

b) a entrada da Iugoslávia na OTAN, contrariando os interesses militares do bloco socialista na Europa.

c) a formalização da União Europeia, contrariando interesses da Iugoslávia e da Sérvia.

d) o fim da URSS, ampliando a autonomia das antigas repúblicas que compunham o bloco socialista.

e) as disputas por terra entre colonos judeus e separatistas sérvios em território iugoslavo.

01. [UNESP]

Resposta: D

As seis nações surgidas com a fragmentação da Iugoslávia foram Bósnia, Macedônia, Croácia, Eslovênia, Sérvia e Montenegro. Em 2008, a província sérvia de Kosovo declarou sua independência, porém, houve parcialmente o reconhecimento internacional. Assim, alguns países não consideram Kosovo um país independente, mas uma província sérvia.

 

02. [UFV]

Resposta: D

O fim da União Soviética contribuiu para o processo de fragmentação da Iugoslávia, pois o governo central de Moscou procurava manter a estabilidade dos países que formavam o bloco socialista, sobretudo na Europa. Além disso, a fragmentação da União Soviética em quinze novas nações motivou os movimentos separatistas da Iugoslávia a buscarem a sua independência.

 

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