Independência da Catalunha

Atualmente o território da Catalunha ainda faz parte da Espanha, mas conta com autonomia política.

A Independência da Catalunha ainda é cercada de polêmicas em meio à comunidade internacional, e, sobretudo, à Espanha.

Nos dias de hoje, a Catalunha é uma comunidade autônoma espanhola, com o status oficial de “nacionalidade”. Seu território é composto quatro províncias: Barcelona, Girona, Lleida, e arragona e a capital é Barcelona, segunda maior cidade de toda a Espanha, depois de Madrid.

Embora nunca tenha sido uma nação independente, a Catalunha tem um governo regional, o Generalitat, com suas próprias instituições — como polícia e Suprema Corte.

Além disso, a Catalunha possui o seu próprio idioma oficial, o catalão, falado pela maioria da população e que reforça a noção de unidade e separação da Espanha.

Dessa forma, para os catalães favoráveis a independência da Catalunha, a separação é uma chance de reforçar a sua identidade, sobretudo cultura e idioma.

Muitos separatistas dizem que não se sentem espanhóis ou não concordam com as políticas adotadas por Madri. Fator este que que vem se fortalecendo nos últimos anos.

independência da catalunha
Imagem: Reprodução

Entretanto, a Catalunha tem grande importância para a economia espanhola, representando em torno de 19% do PIB da nação hoje – índice quase igual ao de Madri (18,9%) e o governo espanhol é contra a independência do território catalão.

Além disso, com 7,5 milhões de habitantes, abriga 16% da população nacional (46,5 milhões). No entanto, os seus moradores julgam que o repasse que a região recebe do governo de Madri é pequena demais ao mesmo tempo em que uma eventual separação da Catalunha poderia trazer incertezas à economia espanhola.

Breve histórico da Catalunha

Historicamente, o sentimento nacionalista catalão cresceu ao longo do século XIX e, nos anos 1930, alcançou a conquista da autonomia política dentro da Espanha.

Até hoje, o governo regional, cujo presidente atual é Carles Puigdemont, pode tomar decisões sem passar pela aprovação de Madri.

Contudo, houve um período de simbólica interrupção deste sistema: em 1936, um golpe militar, sucedido de três anos de uma brutal Guerra Civil, colocou o general Francisco Franco no poder por quatro décadas.

Durante a ditadura franquista, toda a Espanha viveu sob forte repressão e o poder foi concentrado em Madri. E não foi diferente na Catalunha, onde até o idioma catalão foi proibido.

Com o fim da ditadura de Franco, morto em 1975, a Catalunha recuperou a autonomia política para a sua Generalitat.

Em 2010, no ápice da grave crise econômica que elevou bruscamente os níveis de desemprego, incluindo na Catalunha, Uma série de enfrentamentos políticos acabaram levando milhares de catalães a protestarem nas ruas pela sua independência, movimento que até então estava “dormente”.

Desde então, o Dia da Catalunha, celebrado em 11 de setembro, tornou-se uma simbólica convocatória para as manifestações pela separação.

O referendo de 2017 e a independência da Catalunha

Apesar do referendo sobre a independência da Catalunha ocorrido em outubro de 2017, ter sido amplamente favorável a esta medida, carecia de amparo legal, ferindo a Constituição da Espanha, segundo a qual o território espanhol é indivisível – vale lembrar também que outros referendos foram feitos nos anos anteriores.

Imagem: Reprodução

Assim, embora este referendo tenha sido favorável em 90% à independência da Catalunha, também foi considerado ilegal.

O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, disse que os líderes da Catalunha sabiam que o referendo era ilegal, mas seguiram adiante mesmo assim.

Já o presidente regional da Catalunha, Carles Puigdemont, disse que houve “violência injustificada” do Estado espanhol. Ele próprio não conseguiu votar no ginásio onde estava previsto inicialmente, já que a Guarda Civil entrou à força e assumiu o controle – os episódios de violência durante o referendo são inúmeros.

O apoio internacional

O impasse entre o governo regional da Catalunha e o governo central espanhol continua. Enquanto isso, a União Europeia pediu que a Catalunha respeitasse a decisão do Tribunal Constitucional e advertiu que só reconhecerá o resultado de um plebiscito se ele for feito dentro da legalidade.

Nenhum país apoiou diretamente a consulta, além da Venezuela. Ao mesmo tempo em que alguns representantes da comunidade internacional sugeriram que o governo de Rajoy tentasse negociar com os que querem a independência.

Importa lembrar que a crise interna da Espanha pode ter diversas consequências para o mundo – inclusive para o Brasil. Os espanhóis são importantes parceiros comerciais do Brasil e mantêm grandes empresas operando por aqui e, segundo especialista, um forte abalo político pode causar instabilidade econômica parecida com a que aconteceu na crise de 2008.

Referências

Catalunha: um estado sem nação – Rodolfo Pereira das Chagas
Debate sobre a independência da Catalunha. Do pacto constitucional ao caminho unilateral – Joan Navarro, Nacho Corredor
Catalunha: o fracasso da estratégia independentista – Filipe Vasconcelos Romão

Luana Bernardes
Prof. Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Exercícios resolvidos

1. [UFG]

Em meio a uma de suas piores crises econômicas, o bloco europeu vê reacender ideias separatistas em países importantes. Na Espanha, essas lutas em algumas regiões ocorrem há décadas, mas se intensificam diante da crise que afeta o país duramente. Das dezessete comunidades espanholas, quatro mantêm aspirações separatistas. São elas:

a) País Basco, Andalucia, Aragão e Navarra.

b) Cantábria, Estremadura, Astúria e País Basco.

c) Castela e Leão, Catalunha, Andalucia e Galiza.

d) Galiza, Aragão, Estremadura e Catalunha.

e) Catalunha, Galiza, Navarra e País Basco.

Resposta: E
As quatro grandes regiões autônomas da Espanha que lutam pela constituição de seu próprio território nacional são a Catalunha, a Galiza (Galícia), a Navarra e o País Basco, alguns desses movimentos opostos entre si. Os mais atuantes politicamente são os catalães e os bascos.

2.

“’Antes se discutia se a Catalunha poderia ser independente e hoje falamos sobre como seria nossa separação’. É com esta frase que Ignasi Termes, secretário nacional do movimento independentista Assemblea Nacional Catalana (ANC), define o momento atual que vive a região espanhola. E não é para menos. A euforia e o medo de uma possível divisão tomaram a Espanha desde o dia 11 de setembro, quando uma manifestação levou milhares de pessoas às ruas de Barcelona para pedir a criação de um novo país”.

CHAVES, E. Crise na Espanha faz renascer clamor separatista na Catalunha. Portal Terra, 30 set. 2012.. Disponível em: http://noticias.terra.com.br/mundo. Acesso em: 05 jun. 2015.

Sobre a atual situação da Catalunha em relação à Espanha, podemos afirmar que a região:

a) é considerada apenas um estado totalmente subordinado ao governo espanhol.

b) possui o status de autonomia e autossuficiência legislativa, mas não é independente.

c) está com a sua independência em curso, que está respaldada pela União Europeia.

d) apresenta um sentimento popular em favor do socialismo nacionalista espanhol.

e) é um país independente, porém dominado militarmente pelo governo espanhol.

Resposta: B
A Catalunha é uma região da Espanha que clama por independência. Em função de sua atuação histórica, os catalães já são atualmente considerados como província autônoma, com uma própria composição executiva e legislativa, embora ainda subordinada à Espanha.

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