Fundamentalismo

Fundamentalismo é a doutrina ou prática religiosa que interpreta de modo literal as escrituras sagradas.

O contexto de surgimento do conceito de fundamentalismo é o imediato pós-Grande Guerra, isto é, os primeiros anos após a Primeira Guerra Mundial, terminada em 1918.

A expressão foi formalmente definida pela primeira vez em 1920 por um pastor americano da Igreja Batista, chamado Curtis Lee Laws.

Laws estava vinculado ao movimento protestante americano que era contrário ao segmento protestante liberal de fins do século XIX. Nesse sentido, o termo, na sua origem, era um movimento protestante para reafirmar os fundamentos da fé cristã.

Hoje em dia, fundamentalismo significa um movimento religioso que adere de maneira extrema aos princípios de sua religião.

O conceito segundo os grupos

Os grupos fundamentalistas não aceitam nenhuma opinião contrária às crenças que consideram mais importantes. Por isso, esses grupos tendem a se isolar do resto do mundo e a defender com muita força sua ideologia.

Leonardo Boff explica que o fundamentalismo não é uma doutrina, mas uma forma de interpretar e viver a doutrina. Assumindo a verdade das escrituras sagradas para manter sua verdade essencial.

Essa prática traz em si graves consequências pois, quem se sente portador de uma verdade absoluta, não pode tolerar outra verdade e seu destino é a intolerância.

Essa intolerância gera o desprezo e agressividade pelo outro, e por fim, a guerra contra o erro a ser combatido, terminando em incontáveis conflitos religiosos.

Também podemos falar de outros tipos fundamentalistas, como o fundamentalismo político. Atualmente, o conceito, por si só, é muito confundido com fanatismo e terrorismo, pois religiosos fundamentalistas tem se alimentado do fanatismo e do terrorismo como forma de atingir seus propósitos.

O fundamentalismo está muito presente nas religiões monoteístas. Judeus, cristão e muçulmanos vivem conforme a convicção de ser o povo escolhido e portanto, portador da revelação do Deus único e verdadeiro sendo seu dever disseminar sua crença em todo o mundo.

Fundamentalismo
Imagem: Reprodução

O fundamentalismo judeu, muçulmano e cristão

Como atitude, o fundamentalismo se encontra em todas as religiões e caminhos espirituais. Hoje em dia, os judeus fundamentalistas se encontram na construção do Estado de Israel segundo o tamanho atribuído pela Bíblia hebraica.

Já o fundamentalista islâmico pretende fazer do Alcorão (escritura sagrada na religião islâmica) a única forma de vida, de moral, de política e de organização do Estado nos lugares onde ocupam o poder.

Todos que se opõem a essa visão de mundo constituem obstáculos à instauração da “Cidade de Deus” e consequentemente são infiéis que merecem ser perseguidos e eliminados. Importa ressaltar que nem todos os grupos islâmicos são fundamentalistas.

Já um exemplo fundamentalismo na doutrina cristã, é o caso do grupo terrorista irlandês IRA. Esse grupo paramilitar católico que pregava a agenda política de separação da Irlanda do Norte do Reino Unido valia-se de atos terroristas e outras ações violentas, que eram alimentados por um discurso político misturado com a doutrina católica.

Referências

Fundamentalismo: a globalização e o futuro da humanidade – Leonardo Boff

Das relações entre a modernidade e o fundamentalismo religioso – Otávio B. Rodrigues da Costa

 

Luana Bernardes
Prof. Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Teste seu conhecimento

01. [UNIP]: O fundamentalismo islâmico do EI horroriza o mundo com diversas cenas de brutalidade, massacre e agressões. No que se refere aos valores culturais da humanidade presentes no Oriente Médio, sobretudo na região da Mesopotâmia, onde hoje o EI estende o seu domínio, as ações desse grupo terrorista têm levado:

a) à valorização dos monumentos históricos dos assírios, com os quais o EI identifica-se.

b) à promoção de eventos de divulgação das obras dos povos mesopotâmicos.

c) à destruição apenas dos monumentos da civilização da Babilônia.

d) à destruição apenas de monumentos da civilização assiriana.

e) à destruição de todos os monumentos históricos e obras-primas das antigas civilizações mesopotâmicas.

 

02. [FAATESP]: Em 29 de junho de 2014, Abu Bark Al-Baghdadi, líder do grupo terrorista sunita Estado Islâmico, declarou-se califa. O califado almejado por Al-Baghdadi tem por objetivo servir de pretenso modelo para os muçulmanos, com leis rígidas calcadas na Sharia (Lei Islâmica). Para sustentar suas pretensões, o Estado Islâmico, além de ter uma estrutura bélica fortalecida, tem também como principal fonte de renda:

a) o comércio de diamantes roubados da África.

b) a distribuição de cocaína colombiana no Oriente Médio.

c) a venda de ouro.

d) a venda de petróleo iraquiano.

e) a venda de mulheres escravizadas para a Europa.

01. [UNIP]

Resposta E

Nas cidades que vêm ocupando no Iraque e na Síria, sobretudo naquelas que acomodam o patrimônio das antigas civilizações da Mesopotâmia, os membros do EI têm destruído monumentos e obras de arte milenares. A justificativa é a de que são objetos de culto demoníaco, que não condizem com a tradição muçulmana.

 

02. [FAATESP]

Resposta: D

A maior fonte de renda do Estado Islâmico é a venda do petróleo iraquiano para o mercado negro. Só a cidade de Mossul, controlada pelo EI, produz quase dois milhões de barris de petróleo por dia.

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