Varíola

A varíola é uma doença infecto-contagiosa aguda causada por vírus, considerada erradicada atualmente.

Acredita-se que a varíola tenha se originado na África, há 10 mil anos a.C, e se espalhou pela Índia e Egito.

Devido a sua taxa de mortalidade alta, as manifestações desta doença tiveram um impacto significativo no curso da história.

O termo “varíola” foi introduzido inicialmente em Europa do século XV. A doença é também conhecida pelos nomes latinos “Variola” ou “Variola vera”, derivada do varius das palavras do latim (“manchado “) ou do varus (“marca na pele “).

varíola
(Imagem: Reprodução)

A varíola foi uma doença de grande impacto na saúde pública mundial. Em 1967, 33 países ainda eram considerados endêmicos, com cerca de 10-15 milhões de casos notificados por ano.

Como a mortalidade média atingia a casa dos 30% em pessoas não vacinadas, cerca de 3 milhões de mortes ocorriam anualmente pela doença.

Transmissão e diagnóstico da varíola

A varíola é transmitida por contágio, com muita facilidade, uma vez que o vírus, seu agente, está presente nas secreções nasais e da garganta, nas secreções do corpo e nas pústulas e escamações da pele do doente.

Após penetrar o corpo, o vírus da varíola se espalha pela corrente sanguínea e se instala, principalmente, na região cutânea, provocando febre alta, mal estar, dores no corpo e problemas gástricos.

Logo depois destas manifestações surgem, em todo o corpo, numerosas protuberâncias cheias de pus, que dificilmente cessam sem deixar cicatrizes, e conferem coceira intensa e dor.

Tratamento para varíola

Não há tratamento específico contra o vírus. Antibióticos podem ser usados para controlar quadros infecciosos.

Se surgir algum caso de varíola, e for identificado até 4 dias após a exposição do vírus, a vacina pode ser administrada e os problemas podem ser minimizados ou até mesmo evitados.

Ou seja, é importante que se previna a varíola através da vacinação e Eduard Jenner (1749-1823) foi o pioneiro no processo de criação da vacina contra a varíola.

A vacina contra a varíola proporciona imunidade temporária, obrigando que as dosagens sejam repetidas a cada cinco ou sete anos. A primeira vacina deve ser ministrada de três meses a um ano de vida e repetida depois aos sete e onze anos.

Por outro lado, a pessoa que já sofreu da doença encontra-se imunizada contra novos ataques pelo resto da vida.

A varíola no Brasil

A introdução da varíola no território brasileiro ocorreu com os primeiros colonizadores e escravos no século XVI e a primeira epidemia registrada data de 1563, na ilha de Itaparica na Bahia, de onde se disseminou para o resto do país.

Em 1804, foi introduzida a vacina jeneriana no país, dando-se início às campanhas de combate à virose.

Em 1962, o Ministério da Saúde criou a Campanha Nacional Contra a varíola, com resultados inexpressivos, e a média anual de casos mantinha-se elevada, em torno de 3 mil, atingindo principalmente a faixa etária de menores de 15 anos (80% dos casos).

Em agosto de 1966, foi instituída a Campanha de Erradicação da Varíola e só durante a fase de ataque, encerrada em 16 de outubro de 1971, cerca de 88% da população brasileira havia sido vacinada.

A notificação mensal de casos diminuiu e a vigilância ativa da doença permitiu reduzir a ocorrência de casos e notificação, o que aumentava a efetividade dos bloqueios vacinais.

Em 1971, com o prosseguimento dos trabalhos de vacinação, foi-se interrompendo a transmissão no país, registrando-se apenas 19 casos de varíola, todos no estado do Rio de Janeiro.

A última notificação da doença foi em abril daquele ano e desde então não há registro de casos de varíola no Brasil.

A varíola foi a primeira doença erradicada pelo homem, graças à intensa campanha de vacinação em todo o mundo, a sua erradicação foi anunciada em 1980 pela Organização Mundial da Saúde.

Referências

Varíola, sua prevenção vacinal e ameaça como agente de bioterrorismo – Guido C. Levi, Ésper G. Kallas
Varíola – Ministério da Saúde
O que é varíola? – Tomislav Meštrović,

Luana Bernardes
Prof. Luana Bernardes

Graduada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela mesma Universidade.

Exercícios resolvidos

1.

A primeira vacina foi criada no século XVIII por Edward Jenner e garantia proteção contra a varíola. O princípio utilizado nessa época é o mesmo utilizado nos dias atuais e baseia-se:

a) na aplicação de anticorpos contra a doença em pessoa saudável, garantindo sua imunização.

b) na aplicação de anticorpos contra a doença em pessoas doentes para garantir a sua cura.

c) na aplicação de antígenos causadores da doença em pessoa saudável, garantindo sua imunização.

d) na aplicação de antígenos causadores da doença em pessoa doente para garantir a sua cura.

Resposta: C
As vacinas são fabricadas a partir de antígenos mortos ou atenuados, que são aplicados em um indivíduo saudável para que ele desenvolva uma resposta imunológica.

2. [ENEM]

Os sintomas mais sérios da Gripe A, causada pelo vírus H1N1, foram apresentados por pessoas mais idosas e por gestantes. O motivo aparente é a menor imunidade desses grupos contra o vírus. Para aumentar a imunidade populacional relativa ao vírus da gripe A, o governo brasileiro distribuiu vacinas para os grupos mais suscetíveis.

A vacina contra o H1N1, assim como qualquer outra vacina contra agentes causadores de doenças infectocontagiosas, aumenta a imunidade das pessoas porque

a) possui anticorpos contra o agente causador da doença.

b) possui proteínas que eliminam o agente causador da doença.

c) estimula a produção de glóbulos vermelhos pela medula óssea.

d) possui linfócitos B e T que neutralizam o agente causador da doença.

e) estimula a produção de anticorpos contra o agente causador da doença.

Resposta: E
As vacinas possuem antígenos capazes de estimular a produção de anticorpos e células de memória contra determinada doença. O organismo, ao entrar em contato com o antígeno novamente, apresenta uma resposta imunológica mais rápida.

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